segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Carpinteiros, Levantem Bem Alto A Cumeeira - E Seymour: Uma Apresentação


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Já abro dizendo que não li O Apanhador no Campo de Centeio. Nenhum motivo em particular, apenas não tive vontade.

Li apenas esse dos carpinteiros, que de carpinteiros não fala um 'a' e, sinceramente? Não curti. Por que? Porque é pro-li-xo e livros prolixos não prendem minha atenção. Foi assim com Tolkien, porque não seria com J.D. Salinger?

Enfim, o livro trata sobre a ausência do noivo Seymour em seu casamento, narrada por seu irmão caçula, Buddy. Em suma, o noivo não apareceu porque amava demais e já se considerava feliz o bastante. Parece aquela desculpinha de final de namoro: "tenho medo de te magoar", que não cola nem com as mais tapadas, mas óquei.

A segunda parte do livro tenta explicar Seymour, o indecifrável. Tão monótona quanto a primeira, diga-se de passagem. Sem muito mais a dizer, exceto o 'não curti', já pronunciado acima. É isso.
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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mafalda - 2

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Quino é um dos caras mais fodásticos do mundo do HQ e isso todo mundo já sabe, mas vale a pena reforçar, afinal, Mafalda é o tipo de personagem que conquista pela inocência infantil tão harmoniosamente misturada ao cinismo de um adulto bem esclarecido.


Hoje li um livro dele, o segundo de uma série de tirinhas da criança mais querida que já conheci. Engraçado que sentei com ele nas mãos e não senti o tempo passar. Apenas gargalhei mesmo e muito. Como se trata de uma seleçao de tiras contínuas, não tenho como fazer uma sinopse e, sinceramente? Acho que nem deveria.

Faço minhas as palavras de Júlio Cortázar "O que penso da Mafalda não importa. Importante mesmo é o que a Mafalda pensa de mim."

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

O Processo

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Me fora oferecido Kafka. Aceitei. Comecei por O Processo.
Antes de compreender a obra é necessário compreender o autor, considerado um dos maiores escritores de ficção do século XX. Curioso como ele pode estar nessa classificação quando, pelo menos este livro, é tão realista. Tenho certeza absoluta de que algo parecido já aconteceu a alguém.

Tido como o rei do absurdo, Kafka escreveu um romance onde a personagem principal, K., acorda tem sua rotina rompida logo ao despartar por oficiais de justiça, que o mantém detido no local onde mora. A razão. Não se sabe. Estão apenas cumprindo ordens. Mesmo o superior, que presta uma visita ao 'meliante' alega não saber qual é a acusação, mas afirma com veemência que, se K. está detido , é porque alguma coisa ele fez.

Diálogos surreais onde K. tenta compreender o que está acontecendo são tratados com tamanho detalhismo que chega a incomodar. Cada e toda palavra é dissecada, a fim de tornar o mais claro possível o significado que carregam em cada frase proferida. No decorrer da história [sim, com H] são explorados assuntos comuns a todos, como questionamentos a respeito da qualidade de seu trabalho, de sua fé, de sua forma de ser, todos numa tentativa evasiva de lhe atribuir um crime.

A burocracia é abordada de forma cômica, quando não trágica, e no fim das contas, após um ano de indagações sem respostas, K. é executado. Até o fim se pronunciou inocente, mas, se não sabia de qual crime era acusado, como poderia alegar inocência? Perguntas e mais perguntas é o que irá encontrar nesse livro, porque as repostas devem partir de você. Nessas horas acho que vale a pena citar o bêbado com cirrose e dizer "...deixa o cada um dos outros..."

De qualquer forma, leia. É um tanto quanto desgastante, mas vale a pena cada retorno de parágrafo.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A Segunda Vez Que Te Conheci

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Por Marcelo Rubens Paiva. Adoro. Acho que tem algo a ver com a forma como ele escreve, seu estilo mesmo. É tão fluido, espontâneo e novo que parece que a história está sendo contada por um amigo na mesa do bar.

Essa obra é sua mais recente e conta a história de Raul, jornalista veterano, casado com uma moça inteligente pela qual era completamente apaixonado. Tinha uma vida segura, simples.

Mas, como perfeição é mito, um belo dia, sua esposa resolve se sep
arar na intenção de se descobrir. Quem nunca ouviu essa que se manifeste agora...rs. Enfim, ela vai embora, o deixa devastado e ele, na neurose de não ficar sozinho, envolve-se literalmente com a primeira gostosa que cruza seu caminho. Ok, já nutria certa admiração pelas curvas da tal moça, mas mesmo assim, foi a primeira que viu depois da separação.

Ele se casa novamente e, após se divorciar mais uma vez [ele não tem sorte mesmo], entra em uma nova vida. É forçado a abandonar a carreira e se envolve com o ramo mais antigo da humanidade, aliás, segundo mais antigo, pois desconfio que o primeiro seja desenhar. Enfim, Raul tem uma nova vida. Completamente diferente da que levava no início do livro quando reencontra sua primeira esposa. Se o amor acaba? Não sei, mas obsessão com certeza sim.

A obra trata dos tradicionais conflitos entre homens e mulheres que se amam e se odeiam, tendo como palco a cidade de São Paulo e toda sua complexa existência. O legal é que ele traz de volta personagens de seu romance anterior, Malu de Bicicleta [um dos meus favoritos], de forma bastante discreta, porém perfeitamente continuada.
Não dá pra falar mais detalhadamente sem entregar a história inteira e, como se trata de um quase lançamento, não seria justo entregar o final. Mas fica a pergunta que, mesmo sendo respondida no desfecho do encarte, me transtora: o amor acaba?


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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Alice no País das Maravilhas

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Finalmente, o primeiro da minha enorme lista. Quem me conhece sabe o porquê, então acho que não há razão para me explicar. O que interessa é que As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, título original em português, é meu livro favorito e ponto final.


Leio e releio sempre que fico deprimida, ou nostálgica. Engraçado que o sentimento é sempre igual, nada de pular tecos ou perder a graça. Essa obra, a mais famosa de Lewis Carrol, é simplesmente a mais lisérgica em que já tive o prazer de depositar o olhar.


A história da garotinha esperta que segue um coelho branco, detentor de um clássico relógio de bolso toca adentro me conquistou por inúmeras razões, mas, principalmente, pela forma como é narrada. Os pensamentos de Alice estão sempre em primeiro plano, embora não seja ela a relatar suas experiências no País das Maravilhas.


Bem, um resumo para aqueles que, sabe-se lá porque, ainda não leram o livro: Após tomar chá no jardim, Alice se surpreende ao ver um coelho branco tirar do bolso um relógio e dizer que está atrasado. Coelhos não deveriam falar, sendo esse motivo o suficiente para que ela o seguisse. Ao entrar na toca, ela cai por muito, muito tempo por um túnel e aterrissa sobre um monte de folhas. Está na entrada de um lugar existente apenas nas mentes mais criativas, como a dela. Ela pena um pouquinho para conseguir, de fato, entrar no jardim, mas quando consegue, encontra várias figuras interessantes que a fazem refletir sobre sua percepção de si mesma e a forma como é vista pelos outros.


Reflexiva, é uma das melhores palavras para definir essa história. Pensar sobre o meu eu e o eu dos outros é apenas uma das coisas que aprendi com Lewis Carrol quando tinha apenas 7 anos de idade. O excesso de fantasia e a aparente falta de nexo nos diálogos são apenas mais uma forma de incentivar o processo reflexivo de quem lê. Só os mais desinteressados e conformados [para não dizer preguiçosos] conseguem ler esse livro e não atentar para o real significado de cada linha impressa. As frases proferidas pelo Chapeleiro [meu favorito] são as mais lógicas de todas e, por isso, só poderiam ser atribuídas a um louco.


Não pretendo dissertar sobre minhas teses a respeito do livro, Prefiro que cada um desenvolva a sua e a discuta comigo durante uma xícara de café acompanhada de um pedaço de bolo. Não tomo chá...

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Histórias Extraordinárias

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Gosta de contos de terror? Quando digo terror, me refiro ao psicológico, que maltrata a mente e corrompe até o mais são dos sãos. Se você rejeita histórias onde o medo é atribuído unica e exclusivamente à dor física, então esse livro é uma ótima opção.

Edgar Allan Poe é considerado um dos melhores escritores do gênero e ele não conquistou essa classificação de graça. Este livro, em especial, é
uma compilação de alguns de seus contos mais significativos, como o meu mais novo favorito "O Gato Preto" e "O escaravelho de Ouro".


É interessante notar como Poe consegue tornar crendices populares, já desgastadas hoje em dia, em histórias munidas de significado por meio de personagens com enorme profundidadde psicológica. Os contos têm mais de um século de vida, mas continuam tão atuais quanto poderiam, afinal, a psiquê humana, em minha opinião, parou de evoluir há algum tempo...

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Um adendo: o livro está disponível na livraria cultura por 10 dinheiros...eu indico, viu...

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A Revolução dos Bichos

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Li na escola. Acho que na sexta ou sétima série. Gostei, mas não entendi tão bem quanto na segunda vez em que li. Nessa última, meu acervo pessoal já estava um pouco mais amplo, e pude compreender o nível da alegoria que é essa curta história de George Orwell.

Bem, o enredo é simples. Um porco velho, temendo a hora de sua morte propõe aos animais da
fazenda a realização de um sonho. A auto gestão. Não mais acatar as ordens humanas e trabalharem para si. Várias regras são estabelecidas e, unidos, conseguem se livrar da tal classe dominante.

Vivem em harmonia. Porém, como era de se esperar, os porcos idealizadores do projeto, considerados os mais inteligentes e organizadores da comunidade, se corrompem e acabam se tornando cada vez mais humanos e menos humanitários. No fim das contas, se transformam em porcos, no sentido pejorativo da palavra, tal como seus antecessores, escurraçados com muita dificuldade pelo trabalho em equipe dos demais bichos.

Enfim, na seguda vez em o li, entendi que se tratava de uma crítica ao stalinismo, o que me pareceu um tanto quanto bizarro, já que Orwell era um conhecido militante socialista. Só na terceira vez, é que entendi que a crítica não era ao socialismo, mas ao modelo adotado na União Soviética, que em, dado momento, virou uma ditadura 'consentida'.

Divaguei horrores e mal falei do livro, mas é basicamente isso. Leia-o. é curto, de fácil leitura e, se souber aproveitá-lo, irá fazer diferença em sua vida.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Feliz Ano Velho

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Dois anos antes do meu nascimento, Marcelo Rubens Paiva lançava seu primeiro livro, Feliz Ano Velho. Seria apenas o primeiro de uma série de oito [até o presente momento].

Essa obra é autobiográfica [com ou sem hífen?] e retrata o período em que o autor passou pela mudança mais significativa de sua vida. Em uma viagem feita com colegas da faculdade, aos 20 anos de idade, mais ou menos, Marcelo, trêbado, se jogou de cabeça em um lago ao lado de uma cachoeira.

A forma como descreve a queda e o adormecer de todas as extremidades de seu corpo definem a linha narrativa adotada, envolvente e despojada. Posso dizer que esse não é o melhor livro que ele já escreveu, mas, mesmo assim, o considero importante para a 'nova literatura', por abrir mão do padrão sisudo que predominava, até então, entre os autores nacionais.

Bem, voltando à história, Feliz Ano Velho poderia ser uma celebração à existência pré acidente, mas não é. No decorrer do livro, o autor abre mão das pregas morais e fala sobre seus namoros, a forma como tratava as mulheres, seus problemas e ourgulhos, defeitos e qualidades, evidenciando o humano em si e possibilitando uma identificação com o leitor. O texto é direto, sincero e não tenta despertar pena para com sua, então adquirida, tetraplegia.

É comum encontrar relatos autobiográficos [ainda não estou certa a respeito da grafia...] que visam angariar seguidores para a causa morte do autor, filho ou parentes próximos. Este não. Poderia facilmente ser confundido com uma obra de ficção, e isso é o que o torna diferente dos demais, agradando meu duvidoso gosto literário.

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"De repente vejo pousar uma nota de cinqüenta cruzeiros no meu colo. Era uma velha que tinha jogado e saído rápido. A princípio não entendi, mas depois não agüentei e caí na gargalhada. Ela tinha me dado uma esmola. E como dissera meu amigo paraplégico Silvio: ser deficiente também tem suas vantagens".
p. 226

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sábado, 27 de dezembro de 2008

Admirável Mundo Novo

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Essa obra de Aldous Huxley está no meu top 3 de literatura. Na verdade, só perde para Alice no País das Maravilhas, que, por sua vez, só vence a disputa por questões emocionais.

Enfim... a história, escrita em 1932, acontece em um cenário futurista, onde os carros foram substituídos por aeronaves de decolagem vertical, os bebês são produzidos artificialmente e de acordo com as necessidades do corpo social, a existência da família é repudiada ao extremo, a leitura de clássicos da literatura é considerada crime e a promiscuidade absoluta é tida como o comportamento mais adequado às pessoas de bem.

Nesse mundo, Bernard Marx, figura do alto escalão da corporação que comanda o mundo, é um homem frustrado por ter uma compreensão diferente do mundo. Isso acontece, pois não quis mais abrir mão de seus desejos e sentimentos humanos em prol da alegria e conformismo químico, adquirido através do consumo de Soma, que parece bastar a todos os outros.

Buscando satisfazer seus anseios e provar a todos que, embora considerado inferior no âmbito físico e menos atrativo às mulheres, é mais inteligente e promissor que os demais membros de sua casta. É numa dessas que ele acaba vistando uma reserva aonde moram os selvagens, pessoas que não foram condicionadas com os princípios da civilização e se utilizam das mais antigas e precárias formas de sobrevivência.

Na volta, ele traz consigo um representante desse povo curioso e vira uma estrela. O choque cultural sofrido pelo selvagem é o enredo da segunda parte dessa história cheia de mensagens subliminares sobre a sociedade moderna, diferenças de costumes, ideais dos sistemas capitalista e socialista e, também, sobre a própria conduta e evolução humana.

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

parágrafo primeiro

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Este blog tem como meta servir como um depósito para os livros que li e para as impressões que deixaram. Deixo claro que, por se tratar de uma página pessoal, o que vale neste espaço é a minha opinião a respeito das obras, e ela não é necessariamente a certa, assim como a sua, provavelmente, também não é.


De qualquer forma, essa é minha intenção e espero que lhes sirva de alguma coisa. Ah! É bom ressaltar que dificilmente encontrarão algo sobre best sellers por aqui. Nada contra as pessoas que os lêem, afinal, para se tornar um é necessário um enorme número de leitores, mas esse estilo simplesmente não faz o meu tipo. E todos têm um, não adianta fingir que não.

Enjoy!

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